Novo espaço cultural de Brasília privilegia ótica feminina na arte
“Brasilina” abriga espetáculos e oficinas para crianças e adultos a partir de fevereiro
No último final de semana, Brasília ganhou mais um espaço cultural. Foi inaugurada a Brasilina – Lona Multicultural, localizada às margens da BR 020, sentido Plano Piloto - Sobradinho. Quem está à frente do projeto é Manuela Castelo Branco, atriz, palhaça, diretora e produtora conhecida na cidade por desenvolver projetos como o “Encontro de Palhaças de Brasília – Bienal Internacional de Palhaças” e o “Pipocando Poesia”. Segundo ela, o espaço difere-se de um circo tradicional e se enquadra no que chamam de “Lona Multicultural”, pois lá serão desenvolvidos vários projetos, como espetáculos circenses, de teatro, música e ópera. Além de cursos regulares e oficinas tópicas.
Ainda de acordo com Manuela, Brasilina tem vários objetivos e cumpre muitas funções importantes para a continuidade dos trabalhos artísticos que já vêm sendo desenvolvidos pelo grupo. “Inicialmente, ela é a sede do nosso grupo, o LONA Circo Teatro, e centralizará as nossas produções. Então, é lá que a gente poderá ensaiar mais e melhor, desenvolver pesquisa na linguagem ‘palhacística’, entrar em cartaz com nossos espetáculos, começar a desenvolver projetos de circo-escola etc. Também vamos funcionar como um espaço cultural mesmo, com exposições e, assim que possível , uma Ecoteca. Mas estamos abertos a outros parceiros”, revela.
Brasilina irá oferecer aos visitantes uma infraestrutura com direito a banheiro trailer, arquibancadas bem confortáveis (com pufes para atender cerca de 200 pessoas), parque infantil, duas pracinhas com pés de pequi, um seguro estacionamento privado e, é claro, um espaço multicolorido. Quanto à programação educacional, serão oferecidos cursos regulares para crianças – como o de iniciação circense que vai ensinar as técnicas de acrobacia, malabares e de musicalização infantil num contexto totalmente inovador. “Também iremos ministrar cursos livres no decorrer do ano para adultos, com foco na ‘palhaçaria’”, destaca Manuela.
No que diz respeito aos espetáculos, a ideia é valorizar trabalhos feitos por mulheres. “Propor um espaço como este, um ‘picadeiro feminino’, como chamamos, é um grande desafio porque esbarra em preconceitos, identifica tensões, e implica, de certo modo, em certas tomadas de posição. No fundo, e sob o ponto de vista estritamente artístico, é um espaço de fortalecimento da autoestima feminina”. E acrescenta: “Não queremos dizer com isso que homens, palhaços e cantores não entrarão na nossa programação. Claro que sim! Mas a Brasilina definitivamente é um espaço que privilegiará as produções feitas a partir de uma ótica feminina”, explica.
O objetivo do novo espaço cultural não é apostar na segmentação, mas no fortalecimento de profissionais que ainda carecem de espaços de formação e de apresentação. “Ainda há muito o que mergulhar, o que investigar nessa coisa nova chamada de comicidade feminina. E se ver, refletir, e se encantar com o ser mulher”, opina a idealizadora.
Sobre a localização da Brasilina, Manuela conta que, por morar em Sobradinho, um dia viu uma placa “aluga-se”, quando estava voltando para casa. “Já tínhamos o nome e achei que era a oportunidade que faltava. E agora trabalhando na marca, vejo que o BR da BR-020 tem tudo a ver com o BR da Brasilina”.
Programação 2012
“Colombinas, Palhaçadas e Outras Graças” foi o evento de pré-carnaval que marcou a inauguração do espaço Brasilina, no dia 11 de fevereiro. Uma matinê mais do que divertida onde as palhaças Matusquella, Cenoira e outras brincaram o carnaval com as crianças. Essa atividade mescla música e “palhaçaria”.
Em seguida está planejada uma pequena mostra de espetáculos de palhaças de Brasília apelidada de “TPMs – Temporada de Palhaçadas no Mês da Mulher”. Na programação, cinco espetáculos de palhaças e um cabaré com palhaços e palhaças, todos artistas locais. “É uma temporada bastante específica e inusitada, que homenageia as mulheres com graça e muita alegria”, informa Manuela Castelo Branco.
Este ano também tem invasões de palhaços e palhaças pelas ruas de Brasília. É o projeto Encantadores de Ruas, cuja gestão é realizada por Manuela, e tem sede na Brasilina. O projeto tem apoio do FAC – Secretaria de Estado de Cultura do DF.
Por fim, em outubro é a vez do aguardado III Encontro de Palhaçadas de Brasília – Bienal Internacional de Palhaças, que ocorre desde 2008 e que, na última edição em 2010, reuniu mais de setenta palhaças de seis estados brasileiros, além de duas palhaças internacionais.





